domingo, 14 de abril de 2013

Ouça o som do Big Bang

O Universo como o conhecemos 'nasceu' há 13,8 mil milhões de anos numa grande explosão conhecida como Big Bang. Um cientista quis recriar como terá soado esse evento (se tivesse sido possível ouvi-lo).
A ideia é do físico John Cramer, professor emérito da Universidade de Washington.
Os modelos cosmológicos mostram que com o Big Bang foi criada a matéria, o tempo e o espaço do Universo. Ou seja, este não é um evento que tenha acontecido num determinado local do espaço - o Universo não tem 'centro'. Antes ele criou o 'tecido' espacio-temporal que compõe tudo o que existe.
John Cramer descreve o efeito que o fenómeno produziu com uma analogia: foi como um sismo de magnitude 9 que faz com que toda a Terra ressoe. Só que numa escala diferente: "O próprio espaço-tempo estava a vibrar quando o universo era suficientemente pequeno", diz Cramer.
Na sua simulação, utiliza os dados mais recentes captados pela sonda Planck, da Agência Espacial Europeia (ESA), que estuda a chamada 'radiação cósmica de fundo': emissões de microondas que rodeiam de forma uniforme todo o Universo e são o 'eco' mais distante que conseguimos captar do Big Bang.
Analisando as pequenas variações de temperatura da radiação (de milionésimos de grau) que surgem ao longo de todo o 'fundo' do Universo, os cientistas conseguem perceber em que zonas os primeiros elementos de matéria se aglomeravam.
John Cramer introduz essas variações num programa de computador designado Mathematica que cria o áudio das suas gravações.
O cientista realça que o que tenta recriar é o som que, de facto, foi criado pelo fenómeno. O som não se propaga no espaço, mas logo após o Big Bang a matéria estava de tal forma 'compactada' que as vibrações sonoras se transmitiam ao longo de todo o Universo.
Consoante este arrefece e se expande, 'os comprimentos de onda 'esticam-se', dando assim origem a um som mais próximo de um baixo.
Um baixo capaz de produzir um som tão grave que, para ser captado pelos nossos ouvidos, Cramer teve de aumentar a sua frequência (torná-lo mais 'agudo') 100 quadriliões (10^24) de vezes - o número 100 seguido de 24 zeros.
A primeira vez que o cientista fez esta experiência foi em 2001, mas nessa altura os dados que dispunha não permitiam a criação de um som tão rico e tão rigoroso. Agora, com os dados da sonda Planck já foi possível chegar a uma simulação mais exata.

Fonte: Diário de Notícias

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