
Para chegar a estas conclusões, pesquisadores liderados por Yadong Wang injetaram um fator de crescimento sob a pele de ratos. O efeito foi surpreendente: grandes vasos sanguíneos cresceram. Segundo Wang, as estruturas se pareciam-se com as pequenas artérias que levam o sangue a uma rede de capilares.
O mais importante, entretanto, foi a descoberta de que estas estruturas eram estáveis, permanecendo mesmo após um mês da aplicação única do composto. O que surpreende é o fato de que o organismo destrói rapidamente o fator de crescimento que circula livremente. O tempo de semi-vida da maioria destes fatores injetados sob a pele é de 30 minutos a uma hora. Para contornar esta vida tão curta, os pesquisadores usaram moléculas de heparina que fazem a ponte na ligação entre o fator de crescimento e o seu receptor na superfície da célula. Isto aumenta a atividade do fator e estabiliza-o.
No entanto, dado que a ligação do fator de crescimento com o seu receptor produz um composto solúvel em água, esta substância resultante dissolve-se facilmente no organismo em questão de segundos. A solução encontrada foi adicionar moléculas policatiónicas (carregadas positivamente) para neutralizar as moléculas de heparina (carregadas negativamente), o que resulta num agregado de gotículas de óleo (ou coacervado).
Esta é a primeira vez que um coacervado é usado para a entrega controlada do fator de crescimento 2 de fibroblastos. A equipa utilizou um único fator de crescimento para induzir a formação de veias sanguíneas, mas estas veias foram estabilizadas por células especiais conhecidas como células murais (ou células de Rouget), presentes naturalmente nas artérias e veias. Assim, foi possível uma formação extensa e persistente de vasos sanguíneos.
O complexo de fator de crescimento poderia ser injetado no momento oportuno — logo após um ataque cardíaco, ou alguns dias mais tarde — para mudar a forma como o coração se auto-repara.
Fonte: Ciência Diária
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